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Retro-Análise: Tears For Fears – The Hurting

12/12/2009

Tears For Fears é uma banda britânica formada em 1981 por Roland Orzabal e Curt Smith, que em 1997 encerrou suas atividades e retornou à ativa recentemente, em 2004, lançando dois álbuns desde então. Conhecidos por sucessos como Mad World, Shout, Pale Shelter, Sowings the Seeds of Love, e seu mais famoso hit, Everybody Wants to Rule the World, Tears For Fears sempre se destacou de seus comtemporâneos pelo uso das melhores e mais recentes tecnologias de produção e sintetizadores, além da inovação sonora que proporcionou na época.

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The Hurting, seu primeiro álbum, foi um hit inesperado (foi #1 em 1983 no Reino Unido), pois se tratava de um álbum bastante desafiador para uma banda conhecida por fazer música pop – e continua sendo, em qualquer era. A maioria de tal sucesso se deve ao fato da habilidade da banda e seus produtores em combinar assuntos tão pessoais e delicados (a maior inspiração das letras das músicas eram as famílias desfuncionais e problemáticas de Orzabal e Smith) com melodias pop atraentes e dançantes.

A faixa título, que abre o álbum, já choca o ouvinte com sua melodia obscura. Sua letra se encaixa perfeitamente com a melodia: “Could you understand a child when he cries in pain? Could you give him all he needs? Or do you feel the same?” . Logo em seguida, as atemporais Mad World e Pale Shelter dão um ar mais pop e aliviante ao álbum, mas sem abandonar o conteúdo lírico maduro e melancólico. Ideas as Opiates, a faixa mais lenta do álbum, pode assustar um pouco quem não está acostumado, pois é a faixa mais “dark” do álbum até esse ponto, com saxofone e piano formando uma melodia perturbadora. A melancólica e desesperançosa Memories Fade surge em seguida, e é provavelmente uma das melhores faixas que a banda já fez.

Goodbye my friend
Will I ever love again?
Memories fade but the scars still linger

Suffer the Children, primeiro single da banda, me deixou confuso: como uma faixa tão perturbadoramente emocional foi lançada como single? O tom dançante e levemente animado da música é totalmente dissonante de sua letra, e talvez por isso mesmo se estabilize como um dos pontos mais altos do álbum. Watch Me Bleed também é uma faixa dançante, e apesar de não ser tão pessoal quanto Suffer the Children, seu ar confortavelmente agridoce torna a faixa uma sequência perfeita de Suffer the Children – particularmente é uma das minhas favoritas do álbum. Change, oitava faixa, é o único momento onde o álbum enfraquece um pouco; apesar da faixa ser muito boa (e ter obtido grande sucesso quando lançada como single), após três faixas tão poderosas, Change vem como uma calmaria após a tempestade. Mas uma calmaria amarga, já que as letras são sobre o comportamento autodestrutivo de um companheiro ou amor e a busca para uma possível salvação – sendo um contraposto ao solipsismo de Pale Shelter e Mad World.

Esse breve momento logo se acaba, pois logo após de Change, surge The Prisoner, um experimento sonoro assustador e extraordinário para a época. De longe a faixa mais perturbadora do álbum, pode até mesmo deixar algumas pessoas inconfortáveis. Particularmente falando, é aqui onde você percebe o quão genial é The Hurting: um álbum a frente de seu tempo, além de provar como música pop pode ser inteligente, atemporal e até mesmo assustadora. The Prisoner serve como prelúdio da última faixa do álbum, Start of the Breakdown. A última faixa aponta o começo da ruína e da falta de compreensão. Ou seja, todo o ciclo de mágoa, dores, angústia, soliptismo, danos psicológicos, auto-destrutivismo e falta de esperança que tomou conta de todos os 42 minutos do álbum recomeçará. Start of the Breakdown é minha faixa preferida do álbum, por sua riqueza musical e letras tão agridoces e reflexivas.

The Hurting é a prova de que Tears For Fears sempre foi uma banda inovadora e muito a frente de seu tempo – a prova de que música pop acessível não possui relação alguma com falta de qualidade. Quem está disposto a conhecer o trabalho da banda ou quer ouvir um álbum atemporal, mesmo com todo seu conteúdo pessoal e reflexivo, não se arrependerá.

Espero que gostem da análise e ouçam o álbum quando possível!

Videoflux:

Change

Mad World

Pale Shelter

Audioflux:

Memories Fade:

Start of the Breakdown:

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JIN: Jogos Independentes Notáveis [Volume 1]

12/12/2009

Há algum tempo, descobri um jogo chamado La Mulana, para PC. O jogo me chamou a atenção pelo seu estilo deliberadamente retro, além da jogabilidade inspirada em jogos como Knightmare, Metroid e Castlevania. Apesar da dificuldade, gostei muito do jogo e pesquisei sobre outros jogos que seguem mesmo estilo. Então decidi fazer uma pequena recomendação de dois jogos independentes freeware do gênero que encontrei recentemente.

Cave Story

Esse é bastante conhecido entre a comunidade de jogos independentes, e possivelmente é o jogo que abriu as portas para o lançamento de muitos outros do gênero. Lançado em 2004, Cave Story possui uma história simples, mas ainda assim atraente: você é um soldado que perdeu a memória e acaba de despertar em uma caverna (daí o título Cave Story). Ao encontrar a saída da caverna, o personagem encontra uma vila habitada por pequenas criaturas chamadas Mimiga, parecidas com coelhos (e incrivelmente fofas!), que estão sendo perseguidas por um misterioso ser referido apenas como “Doctor“. O objetivo inicial do personagem é ajudar os Mimigas, enquanto descobre os segredos da ilha onde se passa o jogo e mais sobre Doctor.

Graficamente, Cave Story lembra muito jogos antigos da era 16-bits, enquanto a trilha sonora (muito boa por sinal) é totalmente chiptune, remetendo imediatamente a jogos do Nintendo 8-Bits. Porém, é a jogabilidade de Cave Story que mais chama a atenção: é possível explorar as áreas, coletar armas novas, descobrir segredos, áreas secretas, além da dificuldade balanceada e desafiadora – inclusive, o jogo possui três finais, aumentando mais ainda o fator replay. Para quem é fã de séries como Metroid e Castlevania, ou gosta de jogos mais antigos, Cave Story é essencial!

Clique aqui para baixar o jogo (apenas 900kb!), assim como diversos patches de tradução. Naturalmente, é preciso instalar o original em japonês antes de instalar qualquer uma das traduções.

La Mulana

Se Cave Story visualmente lembra muito um jogo de Super Nintendo, esse pode ser facilmente confundido com um jogo de Nintendo ou MSX. Isso se deve ao fato de que La Mulana é uma homenagem aos jogos clássicos de MSX, mais precisamente séries da Konami como Knightmare e Vampire Killer (posteriormente rebatizada como Castlevania). Você controla Lemeza, um arqueólogo muito similar a Indiana Jones, inclusive na parte de explorar ruínas antigas e templos amaldiçoados. A jogabilidade é bastante parecida com os jogos homenageados (principalmente na dificuldade…), e ainda possui o diferencial do personagem adquirir diversos poderes coletando… jogos de MSX. Vários deles podem ser combinados para causar diversos efeitos diferentes.

Tanto o jogo quanto seu patch de tradução podem ser baixados clicando aqui.

Como me interesso bastante por jogos do estilo, vou fazer com que as recomendações sejam frequentes por aqui. Boa diversão com os jogos e tentem não se abalar muito com a dificuldade!

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Música: Little Boots

07/12/2009

Victoria Hesketh, mais conhecida por seu nome artístico Little Boots, é uma jovem britânica que vem se destacando cada vez no cenário da música pop atual. Victoria havia chamado certa atenção há alguns anos, quando fazia parte da banda underground de electropop Dead Disco, mas em sua carreira solo, Little Boots mostrou ainda mais competência musical.

O primeiro single de Little Boots, Stuck on Repeat, foi bastante elogiado pela crítica e por blogs especializados, e teve como inspirações músicas da era disco e Kylie Minogue; por falar nessa, críticos adoram comparar as duas, o que particularmente acho injusto, pois apesar de uma ligeira semelhança e do fato de serem ótimas cantoras, não é legal rotular, ainda mais tão cedo – Victoria possui somente um EP, Arecibo, lançado em novembro do ano passado, e um álbum, Hands, lançado em junho desse ano.

Além da música viciante, divertida e de qualidade, Little Boots também é muito simpática e interage diretamente com o público e com a imprensa; responde todas as entrevistas por seu MySpace, responde dúvidas de fãs em seu Twitter regularmente, e possui um canal no YouTube, onde posta covers, versões alternativas de suas músicas e até mesmo faixas novas. Isso sem contar que é muito bonitinha. Vale muito a pena conhecer seu trabalho!

Videoflux:

Remedy

New in Town

Audioflux:

Stuck on Repeat

Symmetry (feat. Philip Oakley)

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A farsa sobre mensagens subliminares Disney: Parte 2

03/12/2009

Na primeira parte da matéria sobre a farsa das mensagens subliminares presentes nas animações Disney (que pode ser conferida clicando aqui), desmenti boatos famosos como um suposto “John Smith” envolvido na criação de The Lion King e duas frases que foram totalmente distorcidas do que realmente foram ditas, presentes em The Lion King e Aladdin. Por falar em The Lion King, ele foi vítima de muitas acusações falsas sobre mensagens subliminares, e uma das mais famosas será explicada logo adiante.


4. The Lion King: “SEX”

A imagem acima pode confundir muitas pessoas, mas não é o que parece ser.
A origem desse boato nunca foi esclarecida; supostamente, uma criança de 4 anos estava assistindo The Lion King em vídeo, e percebeu que em determinada cena, quando Simba cai entre as flores, levantando uma nuvem de poeira, tal poeira formava a palavra “S-E-X” (como uma criança de 4 anos conseguiu identificar a palavra “sex” ninguém explicou), contou para sua mãe (ou tia, dependendo da versão da história), que notificou uma organização religiosa chamada American Life League. Tal organização já estava boicotando a Disney há algum tempo, e tal afirmação caiu como uma luva para a criação de mais boatos infundados.

O fato é: a nuvem não forma a palavra S-E-X, e sim S-F-X (abreviação comum para “Sound Effects”). A letra “F” está se desmanchando, assim como as outras, e isso faz com que pareça, para alguns, um “E” inclinado. O grupo de animadores responsável pela criação de The Lion King afirma que isso foi apenas uma “assinatura” inocente da equipe criadora dos efeitos animados e sonoros do filme. Quem não está familiarizado com o rumor, não consegue identificar a palavra SEX em momento algum. Além disso, há varias adulterações dessa imagem na internet, fazendo parecer com que a palavra nas nuvens é de fato “SEX”; o frame que coloquei nesse post é da versão original do filme, obviamente sem adulterações.

Nas versões mais recentes de The Lion King esse frame foi removido devido a controvérsia que causou, portanto se alguém afirmar que conseguiu vê-lo na versão em DVD, pode ter certeza de que é mentira. (;


5. Formato fálico em “The Little Mermaid”

Um dos pôsteres de The Little Mermaid (A Pequena Sereia) foi acusado de ter referências sexuais, mais precisamente em um dos pilares no palácio ao fundo: segundo muitas pessoas, é possível ver um pilar em formato fálico. A lenda diz que tal formato foi desenhado por um artista prestes a ser despedido do estúdio, que indignado com a situação da Disney, deixou essa “marca” no pôster.

Primeiro de tudo: o artista em questão não estava indignado com nada e tampouco estava prestes a ser despedido. Procurado pelo site Snopes (em inglês), famoso por desmentir rumores e lendas urbanas, o artista (que desenhou toda a arte promocional de The Little Mermaid, incluindo cartões, CDs, lancheiras, pôsteres, capas dos lançamentos em vídeo, etc) afirmou que não passou de um acidente infeliz; na pressa para completar o artwork do pôster do filme, ele adicionou alguns detalhes no desenho e, sem perceber, acabou desenhando uma coluna no palácio que tinha uma certa semelhança ao formato de um pênis (eu particularmente acho que quem consegue ver tal formato fálico ao fundo tem problemas sérios de abstinência sexual, mas isso é minha opinião). Ele desconhecia a controvérsia que isso gerou até um membro de seu grupo da Igreja ter ouvido falar no rádio e comentar com ele sobre o ocorrido.

Ao contrário do que a lenda diz, tal formato “fálico” não foi adicionado somente na capa da versão em vídeo de The Little Mermaid. Ela estava lá desde um dos artworks originais do filme, que apesar de algumas diferenças em relação a capa do VHS, é essencialmente a mesma. Em lançamentos posteriores, tal formato foi removido devido a controvérsia, e nos relançamentos em DVD as capas são totalmente diferentes.

Percebam também que, diferente do que pessoas que adoram enxergar pelo em ovo afirmam, a mão do Príncipe Eric não está em nenhum lugar suspeito.


6. Padre “excitado” em The Little Mermaid

Ainda sobre The Little Mermaid (já repararam como os rumores dos filmes Disney sempre tem um tema padrão? Homossexualidade em The Lion King, pênis em The Little Mermaid…), há uma cena publicada por diversos sites, alegando que na cena do casamento de Vanessa (embora muitos sites desinformados tenham dito que a personagem é Ariel; qualquer um que de fato assistiu o filme sabe que isso não é verdade) e Príncipe Eric, o padre responsável pela cerimônia tem uma breve ereção; o vídeo abaixo (em alemão, desculpem) comprova que a “ereção” não passa de um movimento da batina, que teria passado despercebido se não fosse pela enorme divulgação que a imagem obteve.


Encontrei vários outros boatos na Internet sobre Disney, mas esses sequer são passíveis de menção, tamanha a absurdez dos tais. Como outras referências, indico a leitura de sites como o Snopes, que como disse anteriormente, é muito bom em desmentir boatos e lendas urbanas. Esse blog publicou um post muito bom sobre o suposto “gato demoníaco” de Cinderella, o Lúcifer. Para quem quiser rir um pouco, recomendo a leitura desse site, com os pôsteres Disney mais ridiculamente alterados que já vi.

Lembrando que o único caso real de uma mensagem subliminar envolvendo sexo em um filme Disney foi no filme The Rescuers (Bernardo e Bianca no Brasil), onde em determinada cena, um pôster quase imperceptível que lembra muito uma mulher nua aparece por cerca de alguns milésimos. A própria Disney reconheceu isso e tratou de remover as fitas do filme de circulação, para a alteração própria da imagem (cujos animadores realmente não sabem como foi parar ali). Curiosamente, sites começaram a divulgar o fato somente depois que a Disney anunciou o recall do filme.

É interessante como as pessoas se deixam enganar por lendas urbanas, boatos, pseudo-mensagens subliminares, histórias inexistentes sobre as animações, mas se esquecem que os filmes Disney possuem excelentes mensagens, nada subliminares, sobre afeto, amizade, respeito, aceitação independente da raça, crença e até mesmo sexualidade, e responsáveis pela diversão de milhões de pessoas, de qualquer idade, no mundo inteiro.

Finalizo a matéria por aqui. Espero que tenham gostado e até a próxima!

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Filme: Coraline

30/11/2009

Em 2002, Neil Gaiman, cultuado (e premiadíssimo) autor de clássicos como American Gods, Sandman, Stardust, entre inúmeros outros, havia lançado sua mais recente obra: Coraline, uma fábula distorcida e surrealista sobre uma garota pré-adolescente que explora um universo paralelo. O livro ganhou vários prêmios e foi aclamado até mesmo como o “Alice in Wonderland do século 21″. Tal comparação, apesar de válida, é um tanto injusta, pois apesar de certas semelhanças entre as obras, são bastante distintas. Sete anos depois, Coraline ganhou uma adaptação para o cinema, dirigita por Henry Selick, diretor do clássico The Nightmare Before Christmas.

Assim como The Nightmare Before Christmas, Coraline foi inteiramente produzido em stop-motion; tal técnica de animação consiste em criar uma película utilizando somente fotografias de objetos, quadro a quadro (para cada segundo de filme são necessários cerca de 24 quadros, ou frames) . Para animações como Coraline, são utilizados modelos feitos normalmente de massa de modelar. É um processo muito trabalhoso (para ter uma noção, cerca de 450 pessoas trabalharam na produção do filme!), mas normalmente o resultado final é bem interessante, além de fugir dos padrões de animação 3D atuais.

Coraline Jones é uma garota de 11 anos que acaba de se mudar para uma nova residência no interior, Pink Palace Apartments. A casa não é exatamente o melhor lugar para se morar, e como se não bastasse, os pais de Coraline não são lá os melhores exemplos de paternidade: seu pai, Charlie, apesar de boa pessoa, está sempre ocupado e é completamente submisso, enquanto sua mãe, Mel, pouco lhe dá atenção, costuma ser grossa e arrogante e parece não se preocupar nem um pouco com sua filha.

Para combater o tédio, Coraline decide explorar sua nova cidade, e acaba por conhecer seus novos vizinhos, como o garoto Wybie e seu misterioso gato; o ex-circense Mr. Bobinsky, criador de ratos; as ex-atrizes Miss Spink e Miss Forcible, que possuem manias bastante peculiares, como criar diversos cães e guardar as cinzas de seus cães falecidos; além da avó de Wybie, a dona do Pink Palace Apartments, cuja irmã gêmea desapareceu em um misterioso fato que nunca foi explicado. Mesmo após conhecer todas essas pessoas no mínimo interessantes, Coraline mantém seu sentimento de carência afetiva e desgosto com o lugar onde mora; isso muda após a descoberta de uma certa entrada em sua casa, onde Coraline encontra sua realidade perfeita: pais afetivos, um lar decente e vizinhos que ao invés de se lamentarem por suas profissões passadas, ainda a exercem, e o fazem muito bem! Porém, tal realidade esconde grandes segredos, que só cabe a Coraline descobrir quais.

A maioria dos personagens de Coraline são bastante carismáticos e bem-construídos; muitos deles surpreendem no último instante, com ações que causam reações (positivas e negativas) do espectador, fugindo de vários clichês do gênero. Porém, não se engane pelo fato de ser uma animação e por ter uma protagonista pré-adolescente: Coraline não é um bem filme para crianças. Muitos podem até pensar que se trata de um filme infantil, mas não é esse o caso; Coraline possui um enredo sério e cenas que podem chocar em diversos quesitos. Apesar disso, Coraline possui muitos momentos fofinhos e é indicado para todos que apreciam animações inteligentes, que procuram algo único no meio de tanta mesmice que domina o mercado das animações nos últimos tempos.

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A farsa sobre mensagens subliminares Disney: Parte 1

29/11/2009

Recentemente pesquisei sobre mensagens subliminares para um trabalho, e me deparei com muitos sites informando sobre mensagens subliminares, normalmente sobre erotismo, nos filmes Disney. Apesar de parecer um assunto batido, muitas pessoas ainda utilizam esses argumentos para criticar os filmes e julgá-los como “inapropriados”, ou como diriam os religiosos mais fanáticos, “satânicos”. Então decidi pesquisar e fazer uma matéria desmentindo esses boatos de vez. A Disney pode ser acusada de muitas coisas, mas essas são inteiramente ficcionais e inventadas apenas para a difamação injusta da empresa e de suas animações.


1. Scar em The Lion King: “Eu sou bicha”

Esse boato ficou bastante famoso, principalmente depois que foi colocado no YouTube. Supostamente, a frase dita pelo personagem Scar em The Lion King, “You don’t understand, no, no, I didn’t mean”, pouco antes de ser morto pelas hienas, se tornou “não, vocês não entendem, eu sou bicha!” na versão em português. Quem inventou esse boato provavelmente tem algum problema de audição, pois mesmo não sendo um exemplo de audição perfeita, consegui compreender perfeitamente a frase “eu não disse aquilo”. Confira o vídeo e tire suas conclusões:

2. O mito de John Smith, criador de Scar

Ainda sobre Scar, li em sites como o famoso Mensagem Subliminar que seu criador, “John Smith”, era homossexual e faleceu de AIDS após o lançamento do filme. Pesquisei sobre John Smith (o que foi muito difícil, já que John Smith é um nome extremamente comum e é utilizado com pseudônimos; é como nosso João Silva) e tudo o que encontrei sobre um John Smith relacionado a Disney foi a mesma matéria sobre o criador homossexual de Scar, publicada em alguns sites de conteúdo verídico bastante duvidoso. Entre eles, encontrei um site de um suposto ex-satanista que continha uma imagem bastante interessante:

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Ao invés de comentar o quanto a coluna dessa imagem é totalmente errada, postarei a imagem original para efeito comparativo.

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Como podem ver, sem elefantes transando, sem “Elton John isn’t gay”, sem pênis de Simba, e principalmente sem um rosto photoshopado inserido na outra imagem (de forma bem porca, pra variar).

3. Aladdin: “Take Off Your Clothes”

Novamente um problema de audição do criador do boato, nesse Aladdin supostamente causou até mesmo crianças tirando suas roupas de forma aleatória ao ouvirem a frase “good teenagers take off your clothes“:

É preciso muito esforço para ouvir tal frase. Apesar dessa ser menos compreensível que a de Scar, ainda assim me parece muito difícil ouvir qualquer coisa parecia com “teenager” ou “clothes”. A frase correta, para quem não conseguiu entender, é “good kitty… take off and go!“.


Como podem ver, a maioria de tais afirmações sobre mensagens subliminares – para não dizer todas – não passam de mentiras, boatos e material forjado para enganar os mais crédulos. Um pouco de pesquisa desmente todas essas histórias facilmente, mas infelizmente a maioria das pessoas parecem acreditar nelas em vez de procurar a verdade.

Espero que tenham gostado da matéria. Em breve, a parte 2!

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Top 5: Ex-integrantes de Girl Groups “Underrated”

24/11/2009

Recentemente estava pensando como em certos girl groups, de diversas épocas, há sempre uma “ovelha negra”; normalmente a primeira garota a sair da banda, tenta carreira solo com algo totalmente diferente do que fazia antes, é aclamada pela crítica e ignorada pelo público, normalmente sendo consideradas “flops” comerciais, devido ao fracasso de vendas dos singles ou álbuns. Então decidi fazer uma lista de ex-integrantes de girl groups que considero “underrated”, que fazem um trabalho digno de reconhecimento e aclamado, mas que acaba passando batido pelo público. Aí vai:

5º lugar: Emma Bunton

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A “Baby Spice” era a mais novinha do girl group mais famoso das últimas duas décadas, Spice Girls, mas também era a mais interessante, musicalmente falando. Emma Bunton não conseguiu lá grande êxito comercial, mas de todas as ex-spice, é a que mais se destaca em carreira solo (embora Geri Halliwell tenha sido a mais bem sucedida comercialmente), graças ao seu segundo álbum, “Free Me“, de 2004. Com influências de soul, 60’s, rock, world music e até mesmo bossa nova, o álbum é bastante diversificado e interessante, melhor que qualquer álbum de suas ex-colegas.

Free Me (2004)

4º lugar: Florence Ballard

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Um dos primeiros girl groups da história da música, The Supremes eram as estrelas supremas (infame, risos.) da gravadora Motown nos anos 60. Florence Ballard fez parte da formação clássica do grupo, ao lado de Mary Wilson e Diana Ross, essa última a mais bem sucedida do trio. Dona de uma voz tão forte quanto seu temperamento, Florence tinha uma certa rivalidade com Diana, já que todos os holofotes e méritos que o grupo recebiam eram direcionados a ela; esse e outros fatores causaram diversas brigas e culminaram na saída de Florence. Após sua saída do grupo, ela gravou um álbum solo, que acabou sendo engavetado pela gravadora após o fracasso comercial de seus singles. Florence Ballard faleceu em 1976, aos 32 anos, e seu álbum solo (que diga-se de passagem é muito bom) foi lançado somente em 2002 (sob o título de “The Supreme Florence Ballard“), 26 anos após sua morte. ):

The Impossible Dream (Fanvideo – 1968)

3º lugar: Rachel Stevens

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O S Club 7 não era exatamente um girl group, já que possuía três homens e quatro mulheres em sua formação, mas considerando que apesar disso ele é considerado um por muita gente, resolvi colocar a Rachel na lista, porque ela merece. Após o fim do S Club, em 2003, Rachel Stevens lançou seu primeiro álbum solo, Funky Dory. Apesar de alguns singles legais, o álbum não empolgou tanto, apesar das boas vendas. Porém, no ano seguinte, o álbum foi relançado com o single inédito de Rachel, Some Girls: a faixa fez diferença, e que diferença! Como na mesma época Rachel estava trabalhando em um novo álbum, Some Girls criou várias expectativas, e quando o álbum, Come and Get It, finalmente foi lançado, não decepcionou: uma verdadeira obra-prima da música pop, fugindo da maioria dos clichês do gênero e mesmo assim mantendo a sonoridade agradável e viciante; exatamente como um bom pop deve ser. Porém, o álbum foi um fracasso comercial e Rachel não gravou nada inédito desde então. ):

I Will Be There (Fanvideo – 2005)

2º lugar: Siobhan Fahey

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Siobhan Fahey era integrante do girl group Bananarama nos anos 80, famoso por hits como Venus e Robert De Niro is Waiting. Elas também participaram da primeira versão do single de caridade Do They Know It’s Christmas?, organizado pelos músicos Bob Geldof e Midge Ure.

Mas falemos sobre Siobhan. Em 1988, decepcionada com a direção que o grupo estava tomando, ela deixou o Bananarama e criou um projeto musical solo, chamado Shakespear’s Sister (o erro na grafia é intencional). Com o tempo, a cantora Marcella Detroit se juntou ao projeto, formando assim uma dupla. O projeto foi bastante aclamado e mostrou um lado mais introvertido e sofisticado de Siobhan, com suas composições maduras e figurino que pode ser descrito como “dark” e “glam“. O primeiro álbum, Sacred Heart, de 1988, não foi bem sucedido comercialmente, apesar do sucesso entre a crítica. Mas o segundo álbum, Hormonally Yours, de 1992 (o título referenciava o fato de que ambas estavam grávidas na época das gravações), foi um sucesso ainda maior, obtendo grande êxito comercial, e até emplacando um hit #1 no Reino Unido, a balada Stay. Porém, desentendimentos entre Marcella e Siobhan acabaram desfazendo a parceria. Marcella seguiu carreira solo e Siobhan prosseguiu com o nome Shakespear’s Sister por algum tempo, mas após o fracasso comercial do single “I Can Drive“, ela abandonou a gravadora e entrou em uma longa batalha judicial para conseguir lançar seu terceiro álbum, conseguindo lançá-lo independentemente somente oito anos depois. Apesar disso, ela lançou alguns singles sob o nome de Siobhan Fahey; um deles, Bitter Pill, destacou-se por ter ganhado um cover parcial de outro girl group, Pussycat Dolls, em 2005, sob o nome de Hot Stuff (I Want You Back). A propósito, a original é bem melhor!

Recentemente, Siobhan Fahey finalmente lançou um álbum novo, Songs From the Red Room, utilizando o nome Shakespear’s Sister pela primeira vez em cinco anos.

Stay (1992)

Bitter Pill (2005)

1º lugar: Siobhán Donaghy

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E o primeiro lugar também é de uma Siobhan! Mais precisamente, de uma Siobhán, apesar dela não utilizar o acento em seus lançamentos artísticos. Siobhán Donaghy fazia parte do girl group britânico de maior sucesso da atualidade, Sugababes, e foi uma das três garotas originais a fazer parte do grupo. Atualmente nenhuma delas ainda faz parte das Sugababes, o que não faz sentido algum, mas isso é outra história.

Siobhán foi a primeira a sair do grupo, alegando querer seguir carreira de modelo; mas após algum tempo, admitiu que saiu do grupo devido ao bullying constante de sua colega Keisha Buchanan, que a humilhava e excluía constantemente. Pouco tempo depois, em 2003, ela lançou seu primeiro álbum solo, Revolution in Me. Com influências de trip-hop, rock alternativo e o bom e velho pop, destacou-se por ser um álbum bastante variado e agradável. Porém, o álbum não era exatamente acessível, a promoção fraquíssima de sua gravadora na época não ajudou e Revolution in Me acabou sendo um fracasso comercial. Quatro anos depois, em uma nova gravadora e trabalhando com outros produtores, ela lançou uma verdadeira obra-prima: Ghosts, com influências de Shakespear’s Sister, Kate Bush e música experimental. Obviamente, o resultado final é ainda menos comercial que seu antecessor. Apesar de ter vendido mais que Revolution in Me, não atingiu as expectativas de venda da gravadora, que rompeu o contrato com Siobhán. Pouco tempo depois, ela anunciou que não faria mais música enquanto o mercado musical continuar tão injusto quanto é hoje. Felizmente, em entrevista recente, ela alegou que só estava dando um tempo, e que já está escrevendo novas músicas para seu terceiro álbum solo. Torceremos para que ele obtenha o grande êxito comercial que Siobhán merece!

Overrated (2003)

Don’t Give It Up (2007)

Encerro a lista por aqui. Espero que tenham gostado das recomendações e apreciem essas pérolas musicais injustiçadas. Até a próxima!

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Análise: Mysterious Skin

22/11/2009

 

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A primeira vez que soube de Mysterious Skin (conhecido por Mistérios da Carne no Brasil), foi de uma forma curiosa: no final de 2006, estava procurando por músicas raras da banda Curve, e descobri que eles haviam feito uma música especialmente para a trilha sonora do filme Nowhere, do diretor Gregg Araki. Foi quando me deparei com Mysterious Skin, na época o trabalho mais recente do diretor.

Lendo a sinopse do filme, fiquei bastante interessado em assisti-lo; A história de dois adolescentes, Brian e Neil, (brilhantemente interpretados por Brady Corbet e Joseph Gordon-Lewitt, respectivamente), que levam vidas completamente opostas e que lidam sobre um determinado trauma de forma diferente. O filme, que se passa entre o final dos anos 80 e o início dos anos 90, retrata a história de ambos desde a infância, ilustrando o trauma em questão de forma bem explícita, mas ao mesmo tempo, com sutileza. Após assistir o filme, fiquei encantando com ele por meses. Não muito tempo depois, encontrei-o à venda, e não hesitei em comprá-lo.

 

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De longe, Mysterious Skin é o melhor trabalho do diretor: ótimas atuações, não só dos protagonistas, como também dos personagens secundários; trilha sonora impecável (contando com bandas clássicas do movimento shoegaze, como Slowdive, Curve, Ride, entre outras; inclusive, a trilha foi composta por Harold Budd, ótimo compositor de música experimental/avant-garde, e Robin Guthrie, da excelente banda Cocteau Twins); cenas bem conduzidas e marcantes; e um roteiro envolvente a ponto do espectador se sentir no filme, presenciando as ações e falas dos personagens, como se estivesse se sentindo no lugar deles. Há cenas bem fortes no filme, que podem chocar uma audiência mais sensível; mas também há momentos de conforto e amizade muito emocionantes, não sendo nada difícil sentir-se tocado com elas. As questões psicológicas levantadas no filme nos fazem refletir por muito tempo, e o final agridoce, porém esperançoso, apenas aumenta esse fator.

 

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Mysterious Skin não é um filme com temática GLBT como qualquer outro; ele subverte clichês e esterótipos, retrata a realidade como ela é, e é capaz de surpreender do início ao fim. Não é um filme para qualquer um, por sua complexidade e abordagem de assuntos tão polêmicos, mas não deixa de ser uma experiência belíssima e inesquecível, feita para ser apreciada e digerida aos poucos.

 

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Música: The Golden Filter

20/11/2009

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The Golden Filter é uma banda americana de Electropop formado em 2008, pela dupla Stephen e Penelope. Influenciados por The Human League, Saint Etienne, Donna Summer, Depeche Mode e The Cure, já são considerados pela crítica uma das “next big things” da música pop. Em fevereiro desse ano lançaram seu primeiro single, Solid Gold, aclamadíssimo pela crítica, além de participarem da coletânea Kitsuné Maison Vol. 7, famosa pela divulgação de artistas electro pop/indie, com a faixa Favourite Things. Além disso, também remixaram faixas de artistas como Little Boots, Cut Copy, Peter Bjorn and John e Empire of the Sun.


Solid Gold

Recentemente, The Golden Filter lançou seu segundo single, ainda melhor que Solid GoldThunderbird. Um electropop sensual, lembrando Goldfrapp em alguns momentos (quando essa ainda era legal), é possivelmente um dos melhores singles do ano, além de ter um vídeo bem interessante:


Thunderbird

Um álbum da dupla, ainda sem nome, está previsto para o início do ano que vem. Se seguir a qualidade de seus singles, 2010 começará com uma excelente novidade musical!

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Jogo: Eversion

19/11/2009

Ready?

Eversion é um jogo desenvolvido por Guilherme S. Tows, que presta homenagem a clássicos como Super Mario Bros em um mundo muito colorido e fofinho. Seu objetivo é coletar todas as gemas e usar a habilidade de “everter” o cenário, transformando-o, para alcançar o final do estágio. O enredo não é exatamente complexo, você é um simpático monstrinho que precisa resgatar uma princesa – novamente, uma homenagem a Mario Bros!

Apesar do objetivo simples, é um jogo muito bonitinho e viciante, vale a pena descobrir todos seus segredos. O jogo pode ser baixado aqui.

 

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