Tears For Fears é uma banda britânica formada em 1981 por Roland Orzabal e Curt Smith, que em 1997 encerrou suas atividades e retornou à ativa recentemente, em 2004, lançando dois álbuns desde então. Conhecidos por sucessos como Mad World, Shout, Pale Shelter, Sowings the Seeds of Love, e seu mais famoso hit, Everybody Wants to Rule the World, Tears For Fears sempre se destacou de seus comtemporâneos pelo uso das melhores e mais recentes tecnologias de produção e sintetizadores, além da inovação sonora que proporcionou na época.

The Hurting, seu primeiro álbum, foi um hit inesperado (foi #1 em 1983 no Reino Unido), pois se tratava de um álbum bastante desafiador para uma banda conhecida por fazer música pop – e continua sendo, em qualquer era. A maioria de tal sucesso se deve ao fato da habilidade da banda e seus produtores em combinar assuntos tão pessoais e delicados (a maior inspiração das letras das músicas eram as famílias desfuncionais e problemáticas de Orzabal e Smith) com melodias pop atraentes e dançantes.
A faixa título, que abre o álbum, já choca o ouvinte com sua melodia obscura. Sua letra se encaixa perfeitamente com a melodia: “Could you understand a child when he cries in pain? Could you give him all he needs? Or do you feel the same?” . Logo em seguida, as atemporais Mad World e Pale Shelter dão um ar mais pop e aliviante ao álbum, mas sem abandonar o conteúdo lírico maduro e melancólico. Ideas as Opiates, a faixa mais lenta do álbum, pode assustar um pouco quem não está acostumado, pois é a faixa mais “dark” do álbum até esse ponto, com saxofone e piano formando uma melodia perturbadora. A melancólica e desesperançosa Memories Fade surge em seguida, e é provavelmente uma das melhores faixas que a banda já fez.
Goodbye my friend
Will I ever love again?
Memories fade but the scars still linger
Suffer the Children, primeiro single da banda, me deixou confuso: como uma faixa tão perturbadoramente emocional foi lançada como single? O tom dançante e levemente animado da música é totalmente dissonante de sua letra, e talvez por isso mesmo se estabilize como um dos pontos mais altos do álbum. Watch Me Bleed também é uma faixa dançante, e apesar de não ser tão pessoal quanto Suffer the Children, seu ar confortavelmente agridoce torna a faixa uma sequência perfeita de Suffer the Children – particularmente é uma das minhas favoritas do álbum. Change, oitava faixa, é o único momento onde o álbum enfraquece um pouco; apesar da faixa ser muito boa (e ter obtido grande sucesso quando lançada como single), após três faixas tão poderosas, Change vem como uma calmaria após a tempestade. Mas uma calmaria amarga, já que as letras são sobre o comportamento autodestrutivo de um companheiro ou amor e a busca para uma possível salvação – sendo um contraposto ao solipsismo de Pale Shelter e Mad World.
Esse breve momento logo se acaba, pois logo após de Change, surge The Prisoner, um experimento sonoro assustador e extraordinário para a época. De longe a faixa mais perturbadora do álbum, pode até mesmo deixar algumas pessoas inconfortáveis. Particularmente falando, é aqui onde você percebe o quão genial é The Hurting: um álbum a frente de seu tempo, além de provar como música pop pode ser inteligente, atemporal e até mesmo assustadora. The Prisoner serve como prelúdio da última faixa do álbum, Start of the Breakdown. A última faixa aponta o começo da ruína e da falta de compreensão. Ou seja, todo o ciclo de mágoa, dores, angústia, soliptismo, danos psicológicos, auto-destrutivismo e falta de esperança que tomou conta de todos os 42 minutos do álbum recomeçará. Start of the Breakdown é minha faixa preferida do álbum, por sua riqueza musical e letras tão agridoces e reflexivas.
The Hurting é a prova de que Tears For Fears sempre foi uma banda inovadora e muito a frente de seu tempo – a prova de que música pop acessível não possui relação alguma com falta de qualidade. Quem está disposto a conhecer o trabalho da banda ou quer ouvir um álbum atemporal, mesmo com todo seu conteúdo pessoal e reflexivo, não se arrependerá.
Espero que gostem da análise e ouçam o álbum quando possível!
Videoflux:
Change
Mad World
Pale Shelter
Audioflux:
Memories Fade:
Start of the Breakdown:
































